• Isabelle Dossa

O que são os disruptores endócrinos?

Quanto mais envelhecemos, mais o corpo acumula e sofre dos efeitos de substâncias tóxicas.

Os disruptores ou desreguladores endócrinos ocupam um lugar de destaque, no meio de todos os tóxicos aos quais estamos confrontados, ao ponto de serem hoje uma prioridade para as organizações de saúde pública.


Hormônios, glândulas endócrinas e disruptores endócrinos

Os disruptores endócrinos (ou desreguladores hormonais) são substâncias naturais ou sintéticas que modificam a homeostase ou equilíbrio hormonal do organismo quando este mesmo é submetido a eles repetidamente. São chamadas "xenohormônios" pois imitam, bloqueiam ou modificam a acção dos hormônios, interferindo no seu metabolismo.

Fazem parte dos poluentes e toxinas do nosso ambiente, capazes de alterar a nossa saúde.

Os efeitos nocivos dos desreguladores endócrinos afectam não só as pessoas a eles expostas mas também os seus descendentes, como afirma o IPCS (Programa Internacional das Nações Unidas sobre Substâncias Químicas).

Os hormônios, produzidas por glândulas conhecidas como endócrinas, são responsáveis pela nossa saúde, o nosso bem-estar, o nosso humor, mas também pelo envelhecimento, doenças degenerativas, excesso de peso, stress, ansiedade, dependências, ....

Estes hormônios são produzidas por glândulas conhecidas como endócrinas:







Para agir, os hormónios ligam-se a um "receptor". Quando um químico perturbador do sistema endócrino se liga a este mesmo receptor, ocupa o lugar do hormônio, o que irá perturbar a fisiologia, suprimindo a resposta biológica.


Estes receptores hormonais são bem conhecidos no mundo científico. Encontram-se geralmente na superfície do núcleo da célula.


Na maioria das vezes, estes desreguladores endócrinos provêm de produtos químicos fabricados pelo homem, que induzem alterações das funções reprodutivas, tiróides e adrenais, em particular.


Estes desreguladores endócrinos podem agir de duas maneiras diferentes:


- por "imitação", ligando-se a receptores em vez de hormônios reais

- através do "bloqueio", impedindo que os hormônios naturais se liguem aos receptores.


Onde são encontrados estes disruptores endócrinos?


Em primeiro lugar, encontram-se em produtos sintéticos fabricados pelo homem, produtos químicos utilizados comercialmente. Alguns estão agora proibidos, outros ainda estão sendo utilizados.


A análise do conteúdo dos sacos de aspiradores domésticos mostra que o pó doméstico contém substâncias tais como ftalatos, compostos organoestânicos e parafinas cloradas, que são utilizados em PVC, borracha, tintas e plásticos, mostrando que são omnipresentes nas nossas casas. Alguns deles são disruptores comprovados, outros são suspeitos de serem... Não se conhece com precisão a lista completa desses produtos



Os principais disruptores hormonais


1- Pesticidas, antissépticos e conservantes

· Pesticidas (inseticidas, herbicidas, fungicidas): organoclorados, organofosforados, piretróides. A clordecona, por exemplo, causa danos neurológicos e oligospermia; Muitos pesticides foram proibidos em vários países europeus mas ainda são usados no Brasil onde a legislação é ainda muito permissiva. DDE, um metabolito do DDT, altera o metabolismo do cálcio e das prostaglandinas. Embora banido em 1971 na Europa e em 2009 no Brasil, o DDT e seus metabólitos ainda são encontrados no meio ambiente.

· Antibacteriano, antitartárico, (triclosan) ainda presente em alguns detergentes, toalhetes, desodorantes, sabonetes, pastas de dente, creme de barbear. Pode perturbar o funcionamento da tireóide. Eles também têm uma atividade ostrogênica ou androgênica.

· Parabenos (ou para amino benzoatos de metila, butil...): são conservantes usados em cosméticos. Eles perturbam o sistema endócrino ao se comportarem no corpo como estrogênios. Além disso, sabe-se que o parabeno butil está fortemente ligado a alterações no DNA dos espermatozóides em homens com problemas de infertilidade.












2- Componentes de plástico

· Bisfenol A: um componente de plástico alimentar (mamadeiras, forros de latas, cimentos dentários). O bisfenol A foi originalmente utilizado no laboratório como substituto do estrogênio, mas quando se descobriu que poderia ajudar a produzir plásticos rígidos e transparentes, sua fabricação comercial explodiu. A produção anual está agora estimada em mais de três milhões de toneladas. As maiores preocupações associadas à BPA são que ela imita a ação do estrogênio, que leva a alterações nos órgãos reprodutores masculinos, induz a puberdade precoce e pode estar ligada ao desenvolvimento da obesidade. As alternativas de Bisfenol S ou F não resolvem estes problemas.

· Ftalatos: amaciantes plásticos, embalagens utilizadas na cozinha, brinquedos, cosméticos e produtos de cuidado (fragrâncias, desodorantes), revestimentos de drogas, sabonetes... Os ftalatos são uma família de compostos químicos utilizados principalmente na indústria. Bons veículos para fragrâncias, eles também são responsáveis pelo cheiro dos perfumes. Também são detectados na urina, no leite materno, no líquido amniótico e no cordão umbilical. Há fortes suspeitas de que os ftalatos apresentem toxicidade para o desenvolvimento, câncer de testículo, certas malformações genitais masculinas, redução da fertilidade e morte fetal. Nas mulheres, os ftalatos estimulam o desenvolvimento sexual que leva à puberdade precoce.











3- Produtos adicionados aos materiais domésticos

· Bifenilos policlorados ou PCBs, utilizados como lubrificantes, adesivos e em alguns revetimentos. Há muito tempo eles são utilizados em geladeiras, transformadores e capacitores elétricos. Eles ainda estão presentes no meio ambiente apesar de sua proibição e são responsáveis pela proibição da pesca em vários rios por causa da persistência da contaminação.

· Compostos perfluorados ou PFCs encontrados em revestimentos antiaderentes como o Teflon e em certas roupas impermeáveis, tecidos e tapetes resistentes a manchas, óleo e certas ceras inseticidas.

· Compostos de polibromina (ou PBDEs) que são "retardadores de chama", encontrados em muitos móveis para retardar a propagação de um incêndio (roupa de cama, sofás, interiores de automóveis, computadores, etc.), em aparelhos elétricos como cabines telefônicas, secadores de cabelo e televisores, computadores, sistemas de iluminação, móveis e estofados de carpetes.

· Alquilfenóis, que são surfactantes encontrados em algumas roupas, auxiliares de formulação de pesticidas e outros produtos agrícolas, tintas à base de água, pneus, adesivos, papel carbono e borrachas de alto desempenho, bem como em alguns produtos de limpeza de cabelo e corpo, creme de barbear e produtos para pentear os cabelos.

· Compostos organoestânicos (que contêm estanho), tais como TBT ou estanho tributil, usados como biocidas ou anteriormente como anti-incrustantes, tintas anti-molde), papel, couro, têxteis e ainda medidos no meio ambiente apesar de sua proibição parcial.


4- Metais pesados

· O mercúrio, além de ser neurotóxico e genotóxico, é também um disruptor hormonal (em sua forma metilada).

· O cádmio tem efeitos ostrogênicos em doses muito baixas. Seu papel no câncer de mama foi identificado.

· Chumbo: Além do envenenamento por chumbo, o chumbo é um reconhecido disruptor endócrino que causa distúrbios de fertilidade, abortos espontâneos, alteração do esperma; ele tem uma ação estrogênica.


5- Outros


· Dioxinas, furanos, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAH) provenientes da combustão ou incineração de materiais orgânicos.

· Os éteres glicólicos, o fenoxietanol, são conservantes. Existe uma recomendação ne Europa de proibir esta substância em produtos destinados a crianças menores de 3 anos (particularmente em lenços para bebês). De acordo com alguns estudos, mais de 60% dos cosméticos convencionais contêm disruptores endócrinos potenciais, como o triclosan, e alguns parabenos. EDTA, presente na indústria cosmética e alimentícia como conservante, é um "quelante" que fixa os metais pesados e promove sua biodisponibilidade.

· Medicamentos que contêm hormônios sintéticos. O caso do dietilstilbestrol ou DES, droga desenvolvida nos anos 40 para evitar abortos espontâneos, foi responsável de malformação ao nascer e de cânceres e foi proibido na década de 1970 na Europa e USA. Alguns disruptores endócrinos ainda são usados como reguladores hormonais (hormônios sintéticos). Infelizmente, essas drogas são encontradas na água potável, pois os métodos de purificação de água são incapazes de removê-las. O estradiol (contraceptivo oral) é um disruptor muito poderoso.


É impossível enumerá-las todas porque um total de 600 substâncias artificiais que podem perturbar o sistema endócrino foram incluídas na lista de prioridades da União Européia. Muitos destes são os chamados poluentes orgânicos persistentes (POPs). É provável que muitas outras substâncias ainda não tenham sido consideradas devido à insuficiência de dados.


Algumas plantas também têm um efeito no campo hormonal, como a soja, salva, inhame, etc... Preferimos não classificá-las aqui como disruptores hormonais e ao contrario utilizá-las para compensar as quedas hormonais relacionadas à idade.


Tabaco

Além dos metais pesados e hidrocarbonetos presentes nos cigarros, a nicotina é conhecida por imitar a ação dos hormônios, além de ser neurotóxica. Além disso, a nicotina estimula a liberação de "endorfinas" cujo efeito é muito curto, o que obriga o fumante a "recarregar" em intervalos regulares e, portanto, a se expor cada vez mais.


Álcool

O álcool em excesso estimula os receptores hormonais e é provável que esteja envolvido em certos tipos de cânceres dependentes de hormônios. O álcool também reduz o efeito da leptina, o hormônio da "saciedade". Este hormônio é armazenado em gorduras e o álcool retarda sua combustão. Além disso, existem efeitos deletérios diretos (cânceres, cirrose, hipertensão e doenças cardiovasculares).


O que fazer?

Os disruptores endócrinos são onipresentes na vida cotidiana. Que entrem em nosso corpo por ingestão, contato ou inalação, eles agem em doses infinitesimais.


Muitas vezes são difíceis de neutralizar pelo nosso organismo porque nossos sistemas de desintoxicação não foram preparados para eliminar esses produtos sintéticos.





Existem diversas técnicas desintoxicantes que atuam em sinergia e que podem ser utilizadas contra estas substâncias que perturbam os hormônios mas sem paranóia, a melhor solução é evitar ao máximo a exposição a essas substâncias. Alguns "reflexos" na vida diária podem nos ajudar a viver mais tempo e limitar os efeitos indesejáveis em nosso sistema hormonal, fragilizado ao longo dos anos pelo contato repetido com essas substancias.





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